Cientistas filmam lula rara a mais de 3.000 metros de profundidade
Já pensou na vastidão que é o Oceano? O encontro com a lula Magnapinna é um exemplo disso, e nos lembra a imensidão extraordinária e assustadora do nosso planeta.
A milhares de metros abaixo da superfície do oceano, onde a luz do Sol praticamente não existe, pesquisadores conseguiram registrar imagens de um dos animais mais misteriosos das profundezas.
Em 7 de agosto de 2026, cientistas do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), em colaboração com pesquisadores da NOAA, encontraram uma lula-gigante-de-barbatanas, conhecida como bigfin squid e pertencente ao gênero Magnapinna.
O encontro aconteceu durante uma expedição realizada com um veículo submersível não tripulado próximo a montanhas submarinas na costa da Califórnia. O animal estava a mais de 3.000 metros de profundidade.
O registro é considerado especialmente importante porque representa a primeira observação confirmada de uma lula Magnapinna viva no nordeste do Oceano Pacífico.
Essas lulas são extremamente difíceis de estudar. Elas vivem em regiões profundas do oceano e raramente são observadas por seres humanos. Algumas já foram encontradas a mais de 6.000 metros abaixo da superfície.
E o animal filmado possui uma aparência incomum.
Seu corpo é relativamente pequeno, mas seus braços e tentáculos são extraordinariamente longos. Em algumas espécies do grupo, eles podem chegar a aproximadamente 20 vezes o comprimento do corpo.
Durante a filmagem, os pesquisadores observaram o animal pairando próximo ao fundo do oceano com seus longos braços e tentáculos dobrados aproximadamente em um ângulo de 90 graus.
Os cientistas chamaram a posição de “postura de cotovelo”.
Acredita-se que essa posição possa estar relacionada à alimentação. Em vez de perseguir ativamente suas presas, a lula poderia manter os longos tentáculos estendidos enquanto pequenos organismos entram em contato com eles. Dessa maneira, a estrutura dos tentáculos poderia funcionar como uma espécie de armadilha passiva.
O encontro também mostra quanto ainda desconhecemos sobre a vida nas profundezas.
Mesmo com submarinos, câmeras e veículos robóticos cada vez mais sofisticados, enormes regiões do fundo do oceano continuam pouco exploradas. Animais como a Magnapinna passam praticamente toda a vida em um ambiente que os seres humanos raramente conseguem observar diretamente.
E existe uma característica particularmente impressionante: para uma criatura que pode viver a mais de seis quilômetros de profundidade, aquele breve encontro diante de uma câmera pode representar uma das poucas oportunidades que os cientistas terão de observar seu comportamento em seu ambiente natural.
No fundo do oceano, onde a escuridão é quase absoluta, ainda existem animais que parecem pertencer a outro planeta.